21.6.09

Big Brother de Londres

Como eu havia comentado semana passada, o Big Brother da Inglaterra realmente tem um brasileiro chamado Rodrigo, bem bonitinho por sinal, que se diz bisexual, mas a julgar pela carinha de chupão que ele tem, acho bem pouco provável que ele tenha pego alguma mulher nestes 23 anos de vida.

Ele é tão quietinho na casa que tem dia que o programa só mostra uma ou duas cenas dele, geralmente assistindo os outros quebrarem o pau ou limpando a cozinha.

Isso que dá brasileiro em Big Brother ingles: entra mudo, continua calado, ajuda na faxina, não discute, não fede, não cheira.
Capaz até que ele chegue na final porque os concorrentes são um pé no saco! Escolheram a dedo um grupinho de gente bem enjoada, sem nada para oferecer.

Nem quando estão pelados eles são estas coisas todas, olha as fotinhos abaixo.
Os melhorzinhos por exemplo são Charlie (que é gay, da direita) e Kris (que anda catando uma loirinha da casa mas suspeita-se que é um romancezinho de faixada para conquistar o público.

Mas é legal ter um brazuca na TV e até agora ele não fez nada que pudesse causar vergonha ao país.
Foi uma escolha bem cuidada porque seria muito ruim ver um dos outros inúmeros brasileiros que moram em Londres, sempre aprontando algo errado, dando golpes, falsificando coisas e falando mal da vida alheia.

Sim, darling, porque brasileiro fala pelos cotovelos! Hahahahahaha
Quando estou no onibus ou numa fila de banco em Londres, as únicas vozes que escuto são de brasileiros, sempre contando vantagem, falando alto, sempre aumentando as coisas, sempre reclamando do tempo, da moradia, da escola, do patrão, do vizinho do lado, da colega de casa (aqui em Londres todo mundo divide casa).

Se o Rodrigo for para a final, vou fazer uma campanha entre os meus clientes e amigos para votar nele e ele ganhar o programa.

17.6.09

Posso limpar a tropa?


Estava faxinando a casa de um cliente e ele me mandou jogar os jornais do fim de semana no lixo. Ele compra aqueles jornais pesados de domingo, cheio de páginas, encartes e propagandas que as pessoas ficam guardando para ler depois e acabam nunca lendo.Daí quando fui juntar a papelada caiu uma página no chão e eu fui ler só por causa da foto (acima).

O bom de trabalhar na casa de gente bacana é que posso dar uma paradinha, tomar uma água, me esconder no banheiro para passar o tempo e até ler jornal se o cliente não estiver por perto pedindo para limpar outras áreas da casa.

Depois de ler no jornal sobre o livro de um soldado chamado Patrick Hennessey que serviu na Guerra do Afeganistão e do Iraque poucos anos atrás e acaba de escrever um livro sobre os desafios e os momentos de lazer da tropa (e que tropa!) vou me informar para ver se estão precisando de faxineiro nos campos de concentração.

O autor é o que está no meio da foto (gostosinho heim?) e ele fundou um clube de leitura para preencher o tempo entre uma batalha e outra e os soldados só podiam ler atrás de uma tenda. Esta era a única área onde tambem era permitido usar chinelo e short.

Agora imagina um monte de homem gostoso tudo tomando sol no meio do nada (estes campos ficam fora das cidades, nas divisas), sem mulher por perto, sem muita coisa para fazer?

Fiquei pensando: sera que eles liam mesmo?

Antes que pudesse responder a minha própria pergunta, mais adiante na reportagem o autor fala que depois de tres meses lendo o mesmo livro ele ainda sequer tinha chegado na página 100! Estou até imaginando o que estes guapos faziam entre uma página e outra da leitura. Hahahahaha. Isso o Jornal Nacional nunca mostrou quando os jornalistas faziam aquelas reportagens sobre as dificuldades da guerra. E isso nem faz muito tempo, o livro narra a estadia do soldado autor na guerra entre 2003 e 2007.

A matéria saiu no The Times e o livro, que é da editora Penguin e se chama The Junior Officers’ Reading Club, vai custar £16.99 quando chegar ao mercado no dia 25 de Junho (semana que vem!). Será que vem com fotos dentro?
Um livro destes ilustrado deve ser tudo de bom!

16.6.09

Escutando os dois lados

Semana já está boa, desde segunda já fiz seis faxinas, metade delas para clientes antigos que nem estavam me ligando faz tempo. Acho que a tão falada crise financeira está voltando ao normal e agora só se fala desta tal gripe suína.

O melhor cliente foi o de ontem a noite que além de ter uma casa super limpinha (só tive que aspirar e tirar o pó de quatro quartos, cozinha, sala, etc) ele me deu £10 de gorjeta e já deixou marcado para voltar lá segunda-feira que vem.

Ele já tinha faxineiro antes, mas o cara foi embora de Londres (tem muita gente indo embora, principalmente quem é illegal porque a coisa está apertando para os que não tem documentos, visto, etc).

Quando cheguei em casa o Craig já tinha se mandado.
A Donna tem enjoado um bocado com a gravidez e me ligou uma semana antes do Craig aparecer em Londres para reclamar que não estava muito a fim de dormir com o namorado (como se eu não soubesse disso pela boca dele mesmo, que de vez enquando liga para reclamar dela).
Eu fico quieto, escuto os dois lados falando um do outro e sigo em frente.

15.6.09

Sexo com band-aid

O difícil de fazer sexo quando se tem alguns curativos e o corpo dolorido depois de um atropelamento é que isso limita um pouco os movimentos.

Não que eu fique fazendo acrobacias ou dando piruetas quando estou fodendo, mas atrapalha ter que reduzir as posições.

Mas sou adepto da frase ‘melhor pouco do que nada’ e fiz assim mesmo.

Craig gostou porque, com um ombro e uma perna sem mexer muito, eu tive que ficar quieto mesmo nas posições que não gosto muito.

- Voce deveria se acidentar mais vezes! – ele brincou no final.
- Como é que é?
- Sim, gostei de, pelo menos uma vez na vida, tu ficar quieto!.
- Quieto?
- Sim, deixar eu tomar conta da situação. Prefiro assim! (risos)

Ele estava se referindo ao fato de que não fiquei tentando fugir do pau toda vez que ele tentava meter um pouco mais fundo ou mais rápido.
Foi uma questão de ter que optar porque ficar tentando fugir ou mexendo muito para encaixar melhor estava doendo mais do que simplesmente relaxar e deixar a coisa entrar.

14.6.09

Atropelado por uma bicicleta



Parece que faz um século que não escrevo e nem foi por falta de assunto.
Levei um baita tombo e machuquei mão, ombro, perna e fiquei de molho por quatro dias.
Fazer faxina nem pensar. Assisti tudo que foi lixo da TV inglesa (tanta porcaria que achei a TV do Brasil até boa se compararmos!).

O tompo foi mais um atropelamento do que uma queda.
Eu estava descend de um onibus e fui atropelado por uma bicicleta na calçada!
Ou seja nunca iria esperar por isso e desci do bus sem olhar para os lados porque achei que calçada era segura.

Nem vi muita coisa, apenas ouvi um estalo e a cena seguinte foi ver o mundo de baixo para cima e um monte de caras estranhas me olhando. Nem espaço para levantar eu tinha porque os passageiros desceram para ver o que tinha acontecido e fizeram uma roda na calçada em volta de mim. Só percebi o quão sério tinha sido quando olhei para a minha mão e vi o adolescente que estava na bicicleta caído e com um corte na testa.
Na hora não dói. Depois sim.
Cancelei duas faxinas (as únicas que eu tinha agendadas de clientes fixos) e fiquei em casa.
Eu cheguei a ir num posto de saúde porque é sempre bom verificar se não quebrou nada. A enfermeira nem me examinou direito e disse que eu fosse para casa e só voltasse dentro de uma semana se eu tivesse piorado.
Não sei qual é o sentido de ter posto de emergencia se quando acontece um acidente no meio da rua e a gente vai lá, a enfermeira manda a gente voltar para casa e só entrar em contato com eles se a coisa piorar. E dentro de uma semana!
Em uma semana muita coisa acontece. Num caso de uma hemorragia interna, por exemplo, morre antes de completar o prazo de retorno ao posto de saúde. Mas como eu sempre digo: primeiro mundo, primeiro mundo, primeiro mundo!
Bom, fiquei de folga por conta própria do trabalho, mas não morri.
Com curativos, esparadrapos, band-aids e tudo mais no dia seguinte eu já estava pulando na cama (ou melhor: no Craig).
Ele passou dois dias em Londres e eu não iria perder esta oportunidade só por causa de um atropelamentozinho.

8.6.09

Papo torto

Porteiro grego passou o fim de semana aqui em casa e já deu par aver que a coisa nem vai durar muito. Tem gente que passa pela vida da gente e é muito bom para uma noite destas qualquer.

Mas literalmente passa. Quando uma noite viram duas, incluindo os dias no meio, e a gente se sente cansado até de ouvir a voz da pessoa, isso é sinal de que é hora de planejar melhor os finais de semana. Não estou falando de sair trepando com um cara diferente a cada noite. Estou falando que mesmo quem se dar bem na cama não quer dizer que vai repetir o sucesso dividindo o mesmo teto.

Essa coisa de estar com alguém que fala demais, que explica demais, que pergunta demais, que reclama demais, que planeja demais, que xinga demais me causa tesão de menos.
Acho que ele entendeu a mensagem porque eu rebati na maioria das vezes.

- Por que voce tem sempre que discordar do que eu explico? (ele)
- Por que voce tem sempre que explicar quando eu discordo? (eu)

Esse foi o nível das conversas.
O bom é que depois de discutir um pouco, mudávamos totalmente de assunto, tipo:
- Por que voce tem sempre que discordar do que eu explico?
- Por que voce tem sempre que explicar quando eu discordo?
- Onde ficam as camisinhas?
- Na segunda gaveta, do lado direito.
- Oba, vamos foder?

Acho que vou manter ele só para a segunda parte do papo.

5.6.09

Mais uma cagada inglesa

Contei para um cliente ontem sobre o problema que tive com meu council tax (IPTU) e ele me contou do caso de uma mulher na rua da casa do irmão dele que, bem recentemente, teve o carro guinchado.

Ela ficou louca atrás, ligou para o departamento que cuida de carros estacionados nas ruas (se tiver uma faixa amarela pintada no chão pode deixar o carro. Se tiver duas faixas o carro é guinchado e a multa vem pelo correio para o dono).

Duas semanas depois o carro da mulher apareceu no mesmo lugar, tipo mágica, com uma multa no vidro da frente.

SIM! Caiam duros! Rebocaram o carro da coitada para pintar o asfalto.
E a nova pintura foi para acrescentar uma faixa a mais, ou seja, quando o carro foi despejado de volta na rua ela estava estacionando em faixa dupla e por isso teria que pagar multa ou o carro iria ser guinchado outra vez (desta vez por estacionamento illegal) hahahahaha.

Resumindo: quando a mulher foi no jornal na quarta-feira para denunciar, conseguiram até uma foto do carro sendo rebocado pela prefeitura para pintar a rua.

A repórter perguntou para o funcionário que autorizou isso e ele respondeu com o famoso ‘sorry’ e que eles iriam ver se dava para cancelar a multa agora que o carro tinha aparecido e tudo havia sido resolvido.

Eu disse para o cliente:
- Se fosse no Brasil, no mínimo esta motorista iria processor a prefeitura por ser tão incompetente.
- Processar a prefeitura de Londres? Se ela fizer isso é bem capaz de ser multada outra vez só pela audácia! – ele respondeu.

Pode um negócios desses? Desde quando brigar pelos proprios direitos virou audácia?

3.6.09

Preconceituoso, eu?

Haahahahaha
Adoro quando o povo se dói com algo que escrevo.
E a maioria os ‘ofendidos’ escrevem um comentário sem pensar muito bem porque escreveram.

E eu fico me perguntando se é falta de tempo para ler e interpreter ou é só falta de capacidade de interpreter mesmo – e neste caso nem posso fazer muita coisa para reverter. Sorry.

Sim, racismo é crime no reino Unido e em qualquer outro lugar da terra. Mas descrever algo como realmente é nunca foi sinal de ofensa.

Como descrever alguém da cor escura e com o cabelo visivelmente esticado artificialmente? Racismo seria chamar a pessoa de encardida ou referir que ela só tem cabelo ruim devido a cor.
Quem voltar lá e ver o post vai ver que descrevi da melhor maneira possível.
E quem disse que há algo errado em esticar o cabelo? Há os que gostam do estilo afro e os que preferem um estilo mais Camila Pitanga. Acho que racista é quem enxerga racismo em tudo.

Aqui na Inglaterra mesmo tem uns grupinhos de críticos que se pais brancos colocam os filhos em escolas com maioria branca eles chamam isso de racismo. E quando os pais matriculam uma criança negra numa escola de maioria branca (isso depende mais do bairro do que de seleção) eles são acusados de demagógicos e de querer negar as raízes.
Raiz? Que raiz? Esse negócio de separatismo, de raiz é a coisa mais discriminatória que existe. E tem gente que ainda acha bacana quem pensa pequeno, quem confunde bairrismo com patriotismo. Me poupem!

E querem saber mais? Brasileiro tem em todo lugar e sempre vai ter gente defendendo ou metendo o pau (dependendo do pau eu também quero).
Mas sempre tem brasileiro fazendo coisas bacanas e nem todos que vem para Londres estão aqui para limpar a casa dos outros de bunda de fora.

Segundo o Sunday Times, amanhã começa o Big Brother 2009 de Londres e vai ter até um brasileiro na casa!
Por enquanto ninguém confirmou nem desconfirmou porque eles guardam segredo até o ultimo segundo. Mas é bem capaz de ser verdade.
Brasileiro sempre dá o maior ibope. Nem sempre fazendo a coisa certa.