Fiquei com a maior pena do assistente porque ele fez aquela cara de criança quando tomamos um brinquedo que ela pegou de outra criança e não quer devolver. Ou um cachorrinho quando damos uma bronca e ele não entende direito porque estamos brigando com ele mas sabem que algo deve estar errado.
- Tem certeza que voce quer parar assim no meio de tudo?
- Tenho.
- E se eu for na farmácia ou nesse mercado aí que tu fez as suas compras e pegar logo uma caixa inteira de preservativos? – ele sugeriu tentando a todo custo não perder a oportunidade.
- Eu te faço companhia até ele voltar - o chefe sugeriu todo animadinho.
Achei bacana esta disposição de sair na chuva para ir num mercado que ele nem sabia direito aonde era para comprar algo que ele nem sabia se eles vendiam só para continuar a diversão.
Mas eu já estava ficando meio dolorido e se depois de dar para o assistente pela primeira vez o chefe dele quisesse usar uma das camisinhas restantes na caixa para me foder de novo isso iria dar mais trabalho do que da primeira vez - e dessa vez talvez ele também tentasse enfiar até o fim e eu iria ver estrelas de tanta dor. ‘
Melhor não se empaturrar de pau porque o mundo não acaba amanhã’, eu pensei olhando para baixo e vendo a minha bermuda toda retorcida em volta do meu tornozelo e com uns pingos de porra.
Sim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu tinha gozado e nem tinha me dado conta tamanha foi a concentração em dar contas dos dois homens ao mesmo tempo!
- Não. Fica para a próxima – eu respondi para eles beijando a cabeçona do pau do que era casado e preparando-me para suspender minha bermuda sem melecar muito as pernas.
- E eu não ganho nada? – o assistente perguntou balançando um pau em ponto de explodir na minha direção. Segurei ele com as minhas duas mãos, desci com a língua da cabeça ao saco dele e falei e disse que se ele quisesse, poderíamos fazer o serviço completo um outro dia.
Me senti meio puta falando a palavra ‘serviço’, como seu eu fosse um garoto de programa que estava atentendo um cliente. Acho que ‘sexo’ e ‘serviço’ juntos sempre soam como prostituição.
- Eu quero sim! – ele falou antes mesmo que eu terminasse a frase.
- Quando?
- Qualquer hora! Não quero esperar uma outra chuva para sentir essa tua boca quente deslizando no meu caralho.
- Quer trocar telefone?
Ele olhou para o chefe, como quem pergunta: vou me meter em encreca se der meu número para este viadinho? E ao invés de responder com um ‘sim’ ele mandou outra pergunta de volta:
- Porque não marcamos e tu dá uma passada aqui semana que vem? os trabalhadores que estão vindo sempre saem as 5.30. Depois disso é limpeza.
Recusei, agradeci, terminei de vestir a minha roupa e peguei as minhas sacolas de compras par air embora mesmo na chuva porque estava apenas uma garoa. Ficou um clima estranho na obra, aquela sensação de não nos veríamos mais.
- Então vamos fazer o seguinte: me deixa teu número que te ligo assim que eu puder.
Dei o número para o assistente. O casado nem se importou de oferecer o dele ou anotar o meu celular mas deve ser porque quando se é casado a coisa é mais complicada.
E fui embora certo de que nunca mais ouviria falar daqueles dois pedaços de mau caminho. Quando não temos planos de manter contato com alguém que acabamos de conhecer esta é a melhor saída mesmo: pedir o número e dizer que liga de volta. E nunca ligar.
A chuva estava quase no fim e a minha roupa quase seca.
Agora era volta a vida real.
Sacola pesada, mais uns 15 minutos de caminhada e faxina marcada para as 6.
Por ironia do destino eu estava enganado sobre os dois trabalhadores da obra esquecendo de manter contato ....