Eta nóis, nem sei como faxina de bunda de fora pode inspirar campanha no Brasil, mas aconteceu e quem sabe dia destes a Carolina, do Blog extra terrenas, manda para a gente uma amostra e eu coloco aqui no Blog. Esperando heim?
Corrigindo erro grave da gramática: escrevi Xingar com CH no post anterior.
Burrice. Mas burrice que se conserta é uma burrice amenizada.
Não quero que as pessoas pensem que só porque trabalho limpando a casa dos outros eu sou ignorante ou o contrário: que sou ignorante porque o cérebro atrofiou de tanto fazer trabalho que não precisa usar a cuca.
De fato não há nada criativo em faxina.
Pego meu balde ou espanador e limpo onde vejo ou até onde o cliente paga. Se pagam por duas horas (por menos de duas horas nem saio de casa. Linda Evangelista uma vez disse que por menos de 10 mil ela nem se daria ao trabalho de sair de casa. No meu caso a cifra é um pouquinho menor: por £40 estou indo feliz da vida) eu limpo por duas horas. Se pagam mais eu limpo mais. Se a casa é muito suja, tento dar conta das prioridades – banheiro, cozinha e quarto. Se a casa é limpinha eu enrolo para não parecer que posso fazer em 1 hora o que estou cobrando por duas.
Mas não vou bancar o intelectual. Faxina é faxina.
E por mais que eu já tenha batido altos papos, nuzinho da silva, com arquitetos, designers, autores, bancários, aposentados, produtores, loucos e outros da tribo gay bem sucedida de Londres, no fim do dia estou lá para colocar a sujeira deles em ordem e continuo achando que não há nada de extra-criativo em chegar, receber o pagamento, tirar a roupa, limpar e ir embora.
E as pessoas ainda se chocam quando falo no que trabalho, o que é contraditório.
Se não falo, pensam que sou vagabundo, que tenho ‘sugardad’ (termo usado aqui para quem tem menos de 30 e é bancado por um velho rico com o dobro da idade).
Se me perguntam e digo só ‘faxina’ o primeiro comentário que vem a seguir é: mas porque tu não arruma um trabalhinho numa loja, tipo balconista, vendedor, ou num bar? Melhor que faxina. Faxina é muito inferior.
Inferior?
Ganho mais e organizo meu diário do jeito que quero.
Sou meu patrão.
Mas daí quando falo da minha faxina com um diferencial (pelado) as críticas chovem porque as pessoas são bem hipócritas. Se faz de tudo ... desde que não se divulgue.
E eu vou seguindo, contando para uns, omitindo de outros e fazendo a minha graninha. Os críticos não pagam as minhas contas e sequer contratam meu trabalho.
E só para mudar de assunto e deixar um gancho: acho que vi Jesus esta semana quando estava voltando de um cliente perto do Hyde Park ...